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Inovação sustentável transforma pavimentação rodoviária

Nova tecnologia aposta na economia circular, reduz emissões e cria uma solução mais eficiente.

6 de Janeiro 2026 | C2030 Notícias

Nova tecnologia aposta na economia circular, reduz emissões e cria uma solução mais eficiente para a construção e manutenção de infraestruturas de transporte.

Um setor pressionado por desafios ambientais e económicos

A indústria da construção e manutenção de infraestruturas rodoviárias enfrenta desafios estruturais crescentes. Por um lado, consome grandes quantidades de recursos naturais não renováveis, como rochas naturais e betume asfáltico. Por outro, recorre maioritariamente a processos de fabrico intensivos em energia, com impactos ambientais significativos.

As misturas betuminosas a quente, amplamente utilizadas, exigem elevadas temperaturas de produção. Como consequência, aumentam o consumo energético e as emissões atmosféricas, incluindo gases com efeito de estufa. Além disso, o fim de vida dos pavimentos gera volumes elevados de resíduos que, muitas vezes, não são valorizados.

Perante este cenário, cresce a necessidade de soluções mais sustentáveis e economicamente eficientes.

Economia circular aplicada aos pavimentos rodoviários

É neste contexto que surge o projeto SustainAsphalt, que visa desenvolver um conceito inovador de mistura betuminosa para pavimentos rodoviários. O objetivo passa por criar um produto diferenciado, produzido através de um novo processo que integra princípios de sustentabilidade em toda a cadeia de valor.

A iniciativa aposta na valorização e reutilização de resíduos industriais. Dessa forma, promove uma abordagem concreta de economia circular no setor das infraestruturas de transporte.

Segundo Telmo Ferreira, gerente da Submerci, “o projeto SustainAsphalt – Tecnologia asfáltica sustentável e inteligente – foi iniciado em janeiro passado e tem prevista a sua conclusão em dezembro de 2027”.

Tecnologia inovadora reduz consumo energético e emissões

O projeto centra-se no desenvolvimento de misturas betuminosas temperadas, fabricadas a temperaturas significativamente mais baixas. Esta redução pode situar-se entre 30 e 40 graus Celsius face às soluções convencionais.

Para atingir este objetivo, o SustainAsphalt recorre à utilização de resíduos de lignina provenientes da indústria do biodiesel. Este subproduto permite diminuir o consumo de energia no processo produtivo. Ao mesmo tempo, contribui para melhorar as propriedades técnicas e a durabilidade das misturas betuminosas.

Como explica Telmo Ferreira, o projeto aposta na “utilização de um subproduto da indústria de produção de biodiesel a partir de resíduos da floresta (lignina) para consumir menos energia e melhorar as propriedades e a durabilidade das misturas betuminosas”.

Valorização de resíduos e ganhos económicos

Outra vertente central do projeto é a incorporação de até 40% de misturas betuminosas recuperadas de pavimentos em fim de vida. Esta opção reduz a deposição de resíduos em aterro. Além disso, permite poupar matérias-primas virgens e reduzir custos.

Entre os objetivos estratégicos estão ainda a redução dos impactes ambientais ao longo do ciclo de vida do produto. Acresce a diminuição dos custos associados à reabilitação de infraestruturas de transporte.

Segundo o responsável da Submerci, o projeto prevê a “redução dos impactes ambientais do novo produto no seu ciclo de vida” e a “redução dos custos de reabilitação de infraestruturas de transporte”.

Consórcio reforça ligação entre ciência e indústria

O SustainAsphalt resulta de uma colaboração estratégica entre a Submerci, enquanto empresa líder, e três entidades do sistema científico e tecnológico. O consórcio integra o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, o Instituto Superior Técnico e o CTCV.

Trata-se, como refere Telmo Ferreira, de “um projeto inovador de SIID – I&D Empresarial em copromoção, com um investimento elegível de 1 625 879 euros, aprovado pelos programas COMPETE 2030 e Lisboa 2030”.

Com o cofinanciamento do COMPETE 2030, o SustainAsphalt contribui para infraestruturas mais sustentáveis. Ao mesmo tempo, reforça a competitividade da indústria nacional e abre caminho à criação de novos mercados.

Links úteis

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