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THoR: Investigação portuguesa sobre transmissão genética em células tumorais

2 de Abril 2024 | Notícias

Entrevistámos o responsável por este projeto da IPATIMUP, que revelou que a resistência à terapia não é apenas resultado da divisão celular, mas também da comunicação intercelular.

O projeto THoR, promovido pela IPATIMUP e cofinanciado pelo COMPETE 2020, pioneiro na investigação dos mecanismos de propagação de mutações de resistência em células tumorais, desafiou noções anteriores sobre resistência terapêutica. Com uma abordagem inovadora focada no conceito de transmissão genética horizontal entre células, a colaboração estratégica com a Life Technologies proporcionou acesso privilegiado a ferramentas de deteção de mutações altamente sensíveis, promovendo descobertas precisas e avanços significativos. A equipa multidisciplinar composta por especialistas em biologia molecular, genética, patologia e oncologia, potenciou o alcance de resultados de alto impacto. Além disso, a parceria com especialistas internacionais em modelos animais e sequenciação de células individuais garantiu uma abordagem abrangente e globalmente relevante. Essa sinergia de conhecimentos e recursos proporcionou impulsionar a compreensão e o tratamento do cancro, oferecendo esperança aos pacientes.

Entrevista a José Luis, investigador afiliado

  • Como nasceu o projeto THoR?

O projeto “Transmissão Horizontal de Resistência à Terapia: Um Novo Paradigma na Monitorização de Doentes com Cancro” (THoR) nasceu de uma interação muito próxima entre investigadores e clínicos. A partir da observação feita em doentes com cancro do pulmão, nos quais se verificou que doentes tratados com inibidores de tirosina quinase tinham a doença a reaparecer após cerca de 9 meses, procurou-se entender por que e como essa resistência à terapia ocorria.

  • Quais foram as principais motivações?

O tratamento de doentes com cancro do pulmão tem melhorado consideravelmente nos últimos anos com o desenvolvimento de diversas terapias direcionadas. No entanto, apesar de existirem casos de remissão completa e de se verificar um aumento no tempo de progressão e de sobrevida dos doentes, a resistência a essas terapias é frequentemente observada entre 9 e 16 meses após o início do tratamento. Por isso, é de extrema importância compreender o aparecimento e desenvolvimento desses mecanismos de resistência, a fim de criar ferramentas para os ultrapassar e melhorar o tratamento dos doentes.

  • Quais foram os principais desafios com que se depararam no desenvolvimento do projeto?

Qualquer trabalho de investigação que envolva perguntas clínicas tem sempre a dificuldade de como modelar a doença em modelos experimentais. No caso deste projeto, devido a toda a complexidade genética da doença, o desenvolvimento de modelos animais era fundamental para capturar a complexidade da doença, mas ao mesmo tempo permitir os processos experimentais. Este processo revelou-se fundamental para avançar no esclarecimento do potencial mecanismo de resistência e como este se expressa nos tumores.

  • Os objetivos definidos para o projeto foram alcançados?

Os objetivos do projeto foram atingidos. No entanto, a investigação continua. Nesta fase, tenta-se perceber como se pode manipular o mecanismo de resistência para criar ferramentas que possam, no futuro, ser utilizadas na prática clínica.

  • De entre os resultados alcançados, há algum que gostaria de destacar?

De todos os resultados obtidos no projeto, talvez o mais impactante seja o facto de ter sido percebido que a resistência à terapia pode ser uma característica partilhada entre as diferentes células tumorais. Este mecanismo de ajuda intra-tumoral mostra uma nova característica dos tumores que os torna ainda mais flexíveis e adaptáveis. No entanto, ao mesmo tempo, abre uma nova oportunidade de intervenção terapêutica até agora pouco explorada. Ou seja, se as células partilham o mecanismo, se conseguirmos interromper a comunicação entre células, talvez consigamos impedir o aumento da resistência.

Apoio do COMPETE 2020

O projeto é cofinanciado pelo COMPETE 2020, no âmbito do SAICT – Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica, envolvendo um investimento elegível de 198 mil euros, o que resultou num incentivo FEDER de cerca de 168 mil euros.

Links

Website IPATIMUP – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto

Website Life Technologies

Última atualização a 2 de Abril 2024

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